quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mexeu com o idoso, mexeu comigo!



O Dia 15 de Junho de 2006 foi declarado pela ONU, em parceria com o INPEA (International Network for the Prevention of Elder Abuse – www.inpea.net), "Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa" com o principal objetivo de sensibilizar a sociedade civil sobre as mais diversas formas de violências que as pessoas idosas sofrem em seus lares, nas instituições ou nos espaços públicos. No Brasil, desde o ano de 2006 temos acompanhando as várias iniciativas que os órgãos públicos, as instituições e a sociedade civil têm desenvolvido no dia 15 de Junho ou nos outros dias do mês, realizando atividades que chamam a atenção sobre a violência contra as pessoas idosas. O Portal do Envelhecimento tem publicado em suas páginas as diversas ações e manifestações que acontecem pelo "Brasil a fora".


 Apesar da existência da Declaração Universal de Direitos Humanos, os direitos das pessoas idosas não são expressamente reconhecidos nas normas obrigatórias dos direitos humanos internacionais pelos Estados membros da ONU.  Veja mais sobre este assunto no link: http://www.portaldoenvelhecimento.net/direito/direito218.pdf




A atenção às pessoas idosas não é generosidade, é gratidão
 Outro destaque  ser dado no Dia 15 de Junho é à importância da notificação dos casos suspeitos ou confirmados de violência contra a pessoa idosa. Os profissionais ainda não incorporaram a determinação do Estatuto do Idoso sobre a notificação da violência. Informe-se no seu Município sobre a Ficha de Notificação e quais são os procedimentos para a Notificação. A violência contra os idosos deve ser entendida como uma grave violação aos Direitos Humanos. A lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso) prevê no artigo 19 que os casos de suspeita ou confirmação de maus tratos contra o idoso são de notificação obrigatória ao Conselho Municipal, Delegacias de Polícia e Ministério Público. A recusa ou omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos, por parte dos responsáveis familiares ou institucionais, é considerada negligência.

 Por fim, gostaríamos de lembrar que o Dia 15 de Junho é proclamado como o Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, conforme propôs a ONU e o INPEA. Sabemos porém que não se "combate" ou não se "luta" contra a violência apenas num dia. O processo deve ser contínuo, todos os dias.




Abraço caloroso a todas essas pessoas tão cheias de experiências
e que tanto têm a nos ensinar.
Que Deus abenções e proteja cada uma delas.
 E que nós façamos, com muito amor, a parte que nos cabe.




 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Para o meu Amor!


pintura "Na roda-gigante" por Tatti Simões
 "De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É o astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura. 
          Amor não teme o tempo, muito embora
          Seu alfange não poupe a mocidade;
          Amor não se transforma de hora em hora,
          Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."


William Shakespeare

Para que o clima amoroso permaneça e nos faça lembrar que todo dia,é dia de viver o Amor!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Carta III ( De Fernando para Clarice)



“A arte não nos satisfaz porque não passa disso: é o testemunho de nós mesmos. Estou fuçando vago, e ultimamente ando cada vez mais tolerante com a vaguidão das palavras”. (...) Tudo o que tenho feito cada vez corresponde menos ao que eu queria fazer. O falso romantismo da criação dá lugar a fragilidades, ao doloroso processo que a envolve."

Carta II (De Clarice para Fernando)


"Passo o tempo todo pensando – não raciocinando, não meditando – mas pensando, pensando sem parar. E aprendendo, não sei o quê, mas aprendendo. Não trabalho mais, Fernando. Passo os dias procurando enganar minha angústia e procurando não fazer horror a mim mesma. (...) Estou vendo que não disse nada, que não é nada disso, e estou vendo que estou bastante perdidinha. Estou sempre errando”.








Carta (De Fernando para Clarice)




Rio de Janeiro, 27 de outubro de 1953

Clarice, Gostei de saber que você está com a alma mais sossegada. O
sentimento de grandeza que você acha que está perdendo talvez agora é que você esteja adquirindo. Sua predisposição para ficar calada não é propriamente uma novidade: a novidade é estar aceitando, inclusive, o silêncio. É bom isso, dá mais paciência, mais compreensão, dá mais sentimento às coisas — e dá grandeza.
Fernando.

Uma coisa chamada...

... Clarice!

"Clarice Lispector é uma coisa escondida sozinha num canto, esperando, esperando. Clarice Lispector só toma café com leite. Clarice Lispector saiu correndo correndo no vento na chuva, molhou o vestido perdeu o chapéu. Clarice Lispector é engraçada! Ela parece uma árvore. Todas as vezes que ela atravessa a rua bate uma ventania, um automóvel vem, passa por cima dela e ela morre. Me escreva uma carta de 7 páginas, Clarice". (Clarice Lispector, por Fernando Sabino)





O escritor já havia terminado sua longa carta, tendo, inclusive, assinado-a. Mas, parece que ao perceber que ainda resta meia folha disponível, lançou-se nesse improviso lírico, assinando-o ao final. (Carta manuscrita, enviada de Nova York e datada de 10 de junho de 1946. Arquivo Clarice Lispector da Fundação Casa de Rui Barbosa. )


Ufa! Sai da fase "Perssona", que é meio pesadona (eu acho), e fui me refrescar um pouco. Andei lendo um "Livro Sobre Nada" do Manuel de Barros. Que delícia que ele é. Depois vou postar uns poemas dele. Cada um melhor do que o outro. Mas hoje eu to daquele jeito... que não é só lendo a Clarice Lispector, é sentindo mesmo. Porque tem gente que diz que Clarice a gente não lê, a gente sente, e eu acho que é isso mesmo. Sendo assim, eu vou aproveitar o momento e vou postar em seguida, uns fragmentos de cartas trocadas entre a Clarice e o Fernando Sabino, pra todo mundo sentir tbm um pouquinho disso aí, dessa coisa chamada Clarice.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

sei lá, sei lá...

“Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?
Não sei.
Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar.
É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas)
O mistério das coisas?
Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
“Constituição íntima das coisas”...“Sentido íntimo do universo”...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando,
e pelos lados das árvoresUm vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensinar)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,(que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,E ando com ele a toda hora.”

Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa), in “O Guardador de Rebanhos” - Poema V


Dizem que recordar é viver. E lendo estes poemas de ultimamente, têm me vindo recordações... Ando revivendo o "Pessoa" e ando com saudade de beber sozinha no trailler do Gordo, e de tomar chopp com o Pedro Lira depois da aula tbm.
Um abraço amigo ao Pedro Lira, meu querido louco professor. Sempre poeta, sempre romantico, sempre apaixonado, sempre Pessoa!