quinta-feira, 17 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Andando por linhas tortas






Tudo desde sempre
Nunca outra coisa.
Nunca ter tentado
Nunca ter falhado
Não importa.
Tentar outra vez
Falhar outra vez
Falhar melhor!




Essa semana, fiz uma coisa que eu julgava importante, mas não deu certo. É, não deu! Como muitas coisas, muitas vezes, não dão mesmo certo. Mas vamos lá... Por ironia do destino, enquanto eu procurava material pra uma aula q não aconteceu, eis que eu encontrei! E o que eu encontrei foi muito mais q um material. Bom, deixa eu explicar. O tema da aula era pra ser: A Linguagem Literária e seus efeitos de sentido. Bom, muito bom! Um tema amplo, com inúmeras possibilidades de exploração, e no qual eu, empolgadamente, me atirei e logo no primeiro mergulho encontrei o poema. Na verdade, não sei se foi eu que o encontrei ou se foi o poema que me encontrou. Ontem eu tive a sensação de que o poema foi meu amigo e já sabia antes de mim, que eu ia precisar dele. Caso não fosse para a aula, seria para lê-lo. Afinal, poemas servem mesmo é para serem lidos e sentidos, eles não nascem para serem estudados. Li, reli, senti! Não tive dúvida, ia ser ele. Se não resultasse em uma boa aula, certamente continuaria sendo um belo poema. Pelo menos uma boa leitura o que já seria alguma coisa. E foi assim que conheci o "Poema em linha reta" do Álvaro de Campos, o poeta das sensações, crítico e inconformado. Pra quem não conhece, Álvaro de Campos é um dos heterônimos de Fernando Pessoa, que, com sua genialidade, o fez nascer em Tavira no dia 15 de outubro de 1889, o fez "fingir" que estudou engenharia, o fez viajar ao Oriente onde escreveu o "Opiário". Enfim, Fernando Pessoa o fez existir para escrever este poema que alguém no mundo teria que escrever. E se acaso esse alguém não existisse, ele teria que ser inventado mesmo. Assim, Pessoa o inventou. E ele me apareceu, assim, na hora certa, no momento em que eu precisa sentir, exatamente isso, sentir! Não teve aula, mas teve poesia!


POEMA EM LINHA RETA

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. " (Álvaro de Campos)
E vamos finalizando... andando em linha torta e farta de semideuses!
Risos fartos e muita poesia... pras gentes (que ainda restam)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

...enquanto eu andar distraída...

... o acaso vai me proteger...

Hoje, não por acaso, resolvi escrever sobre o acaso.

Por acaso as pessoas se encontram, e por acaso se desencontram também. Quando o acaso acontece a gente é levado a "fazer coisas". O acaso não pode ser pensado demais, ele não é planejado, acontece, simplesmente é vivido. O acaso é o que faz seguir em frente, afinal, é assim é que a gente existe. Seguindo em frente. O acaso é o principal. Ele é bem vindo.

Viver o acaso dá a sensação de liberdade para inventar o real, como se a vida se compusesse de mágica e pudéssemos entrar em contato com ela como quando somos crianças e tudo que existe em nós nos deixa curioso e felizes. Na hora do acaso a criatividade vem livre (sim, existem criatividades que não são são livres) de modo que nós, seres humanos, somos levados a sair da mera condição de sobrevivente da vida, tendo que nos lançar na aventura e na potência do novo, do que está por vir.
O acaso não é o caos, nem a mera bagunça, com os quais é tão fácil confundi-lo. Ele é produzido em um encontro. Ele é o que se espera, como algo que, na contramão, não se pode esperar e que, no entanto, se sabe que virá. O acaso é como o nascimento da vida em seu instante mais primitivo. Ele tem o poder de desmanchar uma subjetividade empedrada. Conviver com o acaso nos ensina, penso eu, a aceitá-lo como parte da vida, como o que – no cancelamento do sentido, faz tudo ter sentido. Mesmo que pelo avesso de tudo o que estamos acostumados. Para as surpresas do acaso, não há como a gente se preparar, ninguém pode ser treinado para o acaso, como ninguém pode ser treinado a viver; vale aceitar a aventura e, tentar transformar instantes de ansiedade e medo, em energia e ação, e assim, acreditar que as coisas do acaso, assim como a vida, é uma aventura que pode dar certo. Sei lá o que significa "dar certo"...

Pinturas de Antonio Bokel

Só sei que do acaso e da vida eu não sei nem a metade. E depois disso só me resta dizer que viver o acaso é uma das melhores coisas que se pode viver na vida.

Alê!!! Este post é pra vc. Obrigado pela inspiração rsrs
Eu disse que eu ia escrever.
... presentinho rs
Bjo bjo bjo

domingo, 16 de maio de 2010

... depois daquela tarde

E depois de uma tarde de 'quem sou eu?' e de acordar a uma hora da madrugada em desespero, eis que as três horas da madrugada eu acordei e me encontrei. Simplesmente isso. Eu me encontrei. É lindo. É vasto. Vai durar. Eu sei mais ou menos o que eu vou fazer, mas por enquanto...
... vou vivendo, e acho que eu vivo clandestina. Não é mole essa vida! Acho que a vezes a gente se envolve com mundos que só existem no desejo, dentro da cabeça da gente. É foda! Viver dentro cabeça da gente é foda, e o pior, gostar de viver assim hauahuahauhauaahuah por que o mundo, o mundo mesmo, dentro do qual as coisas e as pessoas existem e passam a "fazer sentido", é aí, do lado de fora, do lado de fora da gente, e as vezes, muitas vezes, é beeeem por fora!
Que nessa semana as forças do universo conspirem a favor, e me ajudem a conseguir concentrar. Eu vou precisar!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O senhor sabe o que o silêncio é?


"O silêncio é a bolha de sabão

dos homens sábios de verdade.

O imbecil acha que é sábio.
Um sábio de plantão

ele crê que basta silenciar

e será salvo.

O sábio de plantão acha

que uma bolha pode protegê-lo

já o sábio de verdade não sabe de nada

nem acha nada.

Nada o protege,

ele ignora correr perigo

quando põe a mão no fogo.

O sábio de verdade
está ciente de que

quando abrir a boca

será pra dar seu grito estúpido
o mais alto que conseguir

a isso chama raiva,

vingança potência sonora
e até mesmo rock´n roll.
O sábio de verdade
difere-se e muito
do sábio de plantão
o sábio de plantão tagarela
fala sem parar por dias e anos
a respeito dum silêncio

por ele domado diz se tratar

dum silêncio ensurdecedor.

Eu, no entanto que não sou sábio

de nenhuma espécie

e estou mais que soterrado
convenci-me da existência de outra espécie

de silêncio mais raro e singelo

chamo-o silêncio sem hematomas

e é isso ou o berro na cara.

(Luiz Felipe Leprevost)



"E então Riobaldo disse: O senhor sabe o que o silêncio é?
- O silêncio é a gente, demais!"

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pipoca e suco

Dia desses assisti um filme... Nome Próprio é o título. Na verdade, assisti esse filme por alguns dias, pois tive várias questões a resolver, e enquanto não resolvi, pelo menos algumas, continuei assistindo, por isso, fui aos poucos tbm escrevendo. Hoje resolvi postar. Antes de tudo, minha maior impressão foi a de que Nome Próprio é um filme sobre a paixão. Primeiro a paixão pela escrita, depois pelo resto. A paixão encarnada em um jovem mulher, transbordante e avessa aos limites. LIMITE!!!! O que é lógico e conseqüente, pois esse é ao longo de toda a história da humanidade o problema dos indivíduos: construir seus limites. A "palavra" é um limite - quando escrevemos algo, estamos fazendo uma opção por um significante/significado, (entenderá melhor, quem já estudou o estruturalismo linguistico de Saussure), portanto, excluindo todos os outros. Uma narrativa é um limite, pois exclui outras. Experimentação de limites - quem não se defronta com essas questões não faz arte. Pois ARTE é avessamento. É atravessar a fronteira do lugar comum.

Lembramos com Foulcault que não existe sujeito nem sexualidade universal, e que os "discursos" sobre o sujeito e sobre o sexo são produções determinadas historicamente

É Freud que no final do século 19 postula que sexualidade é prazer. Mas diz que só há um sexo: o masculino. Portanto, mulher com muito desejo é histérica, mulher com muita vontade própria é uma "mala". Mulher que é mulher cuida da casa, dos filhos e de noite é uma gueixa. Perfumada e silenciosa. Só que não goza. Gozo, prazer, é visto como excesso, em ambos os sexos. Hedonismo. Somente a 50 anos atrás, por causa de um evento desejado pelo homem: o controle da natalidade - com a invenção da pílula - a mulher consegue finalmente sua tardia liberdade sexual. Ela enfim tinha um órgão sexual livre do estigma da reprodução e que pode ser usado exclusivamente para seu prazer.
Pobres senhores, pois com a liberação sexual da mulher, ela deixa de ser ou reprodutora ou cortesã e passa a ser mulher, essa é a grande transformação do final do século XX - o papel psico-social da mulher e uma mudança fundamental do papel dessa mulher na relação homem/mulher em quaisquer dos campos da manifestação humana. Em vez do grande embate entre capitalismo/comunismo esperado para a segunda metade do século XX, o que aconteceu como mudança radical foi o da "ontologia" feminina.
Pelo que parece, a Camila, personagem do filme, é filha da mulher liberada dos anos 70. Ela nasce e cresce consciente de seu corpo e principalmente das suas idéias e seus pensamentos. Camila não tem problemas com isso. Ao contrário, vive-os, e muito a fundo. Camila não gosta de levar cantadas idiotas, fica irritada com esse clichê masculino, "a cantada". Porque a mulher agora não pode escolher?
Camila transborda na exposição de suas contradições para afirmar sua feminilidade contemporânea. Em seu rito apaixonado de procura por contorno e apego, ela procura apego no chão. Procura descobrir os limites de sua feminilidade em seus ritos mais desesperados de
afirmação. Camila é egocêntrica. Claro que é. Se não for egocêntrica será o quê? Todos começamos nossa jornada egocêntricos. O mundo e a civilização se constrói no embate do egocentrismo com o real. O egocêntrico que não se relaciona com o real morre. É simples assim, morre. Camila sobrevive. É egocêntrica. Mas, devemos ter mais cuidado com os seres que não tiverem em seu ego o seu território bem demarcado. Esse é o perigo do altruísmo. Do bonzinho... O bem e o mal estão dentro. No ser. Portanto cuide do seu ser.
"Nome Próprio" trata de um rito de passagem, de um processo, de uma construção de narrativa. Essa narrativa fugiu do banal e embarcou num processo de tentar dar conta da procura de um corpo. Do corpo da escrita feminina e do feminino como criação do novo. Isso torna sua personagem quase que insuportável para as mentes de seres mais opacos.

Foi bom o filme... eu gostei.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Normal, às vezes.

Meu Deus, tenho visto... o mundo é cheio de gente horrível, interesseira, louca, sem caráter. Acho tudo muito esquisito, me sinto super normal às vezes. Mas não sei se o certo seria eu me sentir normal ou anormal. Tenho andado confusa... Acho q isso é um pouco culpa sua, César! A gente não poderia viver muito perto mesmo não. Tem coisas que são muito intensas e certas ao mesmo tempo para não serem dosadas. Têm sido importantes e necessárias todas as conversas, todas as cervejas, todas as vodkas, todos os vinhos, todos os delírios, todas as noites, todas as tardes, todos os cafés, todos os filmes, todas as músicas, todos os risos, todos os choros, todas as palavras, todos os momentos. Vou sentir uma saudade danada!




Amo vc! Por tudo, e especialmente, pq a gente dança na sala aqui de casa, pq vc me faz rir, descontroladamente , me deixa felizassa, achando que mesmo com tudo estranho, às vezes a vida é boa e dá tudo certo


Bjo, meu amigo!